Seria a Biomecânica realmente importante para o professor de Educação Física?

A Biomecânica ocupa atualmente um papel de destaque dentre as disciplinas que formam o corpo de conhecimento da Educação Física e do Esporte. Basta observar o crescente número de palestras, e de cursos cujo tema central é a Biomecânica para tirar qualquer tipo de dúvida: a Biomecânica veio mesmo para ficar. Trata-se apenas de mais um dos modismos que são característicos na nossa área, ou de fato ela pode nos ajudar no exercício de nossas atividades profissionais?

Trata-se de uma questão importante, cuja resposta pode nos ajudar a pautar a relação que pretendemos ter com ela. Analisar o mercado de trabalho talvez seja a melhor forma de responder a esta questão. Vivemos o século das opções. Nunca ouve tantas alternativas de exercício e métodos de trabalho. Sem dúvida, trata-se de uma situação bastante atrativa, afinal temos um rol cada vez maior de atividades a oferecer a nossos alunos.

Porém não podemos nos esquecer que isto também representa um problema, afinal somos constantemente desafiados a responder aquela boa e velha pergunta: Professor, qual é o melhor exercício? Pergunta complexa, que não pode ser respondida com bases subjetivas. E é justamente neste ponto que a Biomecânica pode nos ajudar.

A partir da caracterização mecânica do exercício, obtida a partir da utilização de técnicas derivadas da eletromiografia, da dinamometria e da cinemetria, a Biomecânica nos permite caracterizar o movimento. Diferente do que poderia imaginar um leigo, a Biomecânica não pretende classificar os exercícios em “bons” e “maus”. Exercícios não são bons ou maus, eles são apenas ferramentas de trabalho. Cabe ao professor, e somente a ele, avaliar se a característica do exercício é compatível com as características e necessidades do aluno.

A Biomecânica não faz o julgamento, ela apenas capacita o professor a fazê-lo. Buscar as melhores estratégias para cada um de nossos alunos, permitindo que atinjam as suas metas, é a tarefa que faz tão especial a atuação do professor. E para que possa fazê-lo com precisão e correção, não lhe bastará os conhecimentos da Fisiologia, do Treinamento, e da Nutrição, tornam-se fundamental uni-los aos conhecimentos da Biomecânica. Entretanto, a Biomecânica ainda pode oferecer muito mais.

Além de nos mostrar o que podemos esperar de fato dos exercícios, ela ainda nos auxilia a entender a sobrecarga gerada em decorrência da sua prática. Todo exercício gera sobrecarga, cabe-nos saber qual é sua intensidade, quais são as estruturas osteo-mio-articulares afetadas e qual o limite de tolerância do nosso aparelho locomotor. Trata-se de um conhecimento de vital importância nos dias de hoje, onde não apenas os que gozam de boa saúde nos procuram.

As pesquisas científicas vêm mostrando de forma consistente que o exercício é uma das mais importantes ferramentas para aqueles que querem recuperar a saúde perdida. É cada vez maior o número de pessoas com este perfil que nos procuram. Trata-se de um importante segmento de mercado, que sem dúvida crescerá muito nos anos vindouros. Controlar a sobrecarga gerada pelo exercício é a única maneira de permitir que eles gozem dos benefícios da atividade física. Felizmente todos sabem que controlar a sobrecarga é fundamental para evitar as lesões que podem afastar os nossos alunos do exercício. Infelizmente poucos sabem como fazê-lo.

Outra grande vantagem daqueles que se dedicam a estudar a Biomecânica: estar apto a analisar a sobrecarga gerada no exercício, e mais do que isto, desenvolver estratégias que permitam controlá-la. Em resumo, a Biomecânica nos capacita a oferecer um exercício eficiente e seguro para cada para um dos nossos alunos. A Biomecânica capacita o professor de Educação Física a cumprir a sua mais nobre missão: mudar a vida das pessoas!

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