HIIT x LIIT: Qual a melhor abordagem para retenção?

“As pessoas se esquecem do que você disse, as pessoas se esquecem o que você fez, mas as pessoas jamais se esquecem de como você as fez se sentir”

Maya Angelou

 

Há mais de 40 anos, muito antes do HIIT se tornar “moda”, a pesquisa do doutor em fisiologia do exercício Michael Pollock apontava que o exercício de alta intensidade causava mais abandono do que o treinamento contínuo. Pollock afirmou:

“O exercício de alta intensidade parece não ser agradável nem bem tolerado por pessoas que se exercitam para a saúde e bem-estar geral”.

Essa é uma verdade apoiada pelo especialista em retenção Dr. Paul Bedford do Reino Unido. Baseado em suas pesquisas ele diz que para pessoas “normais” quanto mais árduo e intenso for o treinamento, mais rápido elas vão desistir!

Então, a menos que sejam ministradas com cuidado, as aulas e os treinos de HIIT podem ter um impacto negativo na retenção, particularmente com novatos sedentários.

 

A REGRA DO PICO

A experiência geral com uma aula ou sessão de exercícios também fornece pistas valiosas da percepção geral de esforço e o posterior julgamento da satisfação da experiência com exercícios.

Muitas empresas gastam muito tempo pensando em como causar uma “primeira boa impressão”, mas o fato é que pesquisas apontam que é a “última impressão” que causa mais impacto no comportamento e interfere mais na probabilidade de as pessoas quererem repetir suas experiências!

Daniel Kahneman, Nobel de Economia, cunhou “a regra do pico” para descrever o fato de que a memória das pessoas com relação às experiências passadas é marcada pelos momentos de pico dessa experiência – quer seja positivo ou negativo – e em como a experiência termina.

A dor é uma forma do corpo dizer que algo está “errado”. Muitas pessoas sem experiência com exercícios não reconhecem a diferença entre “dor” e “desconforto”. Elas são inclinadas a pensar que essa não é uma resposta “natural”, ou seja, não é como o corpo delas deveria reagir!

O fato é que as sensações emitidas pelo corpo durante uma sessão de exercícios são exatamente os mesmos SINAIS DE ALERTA que disparam no nosso cérebro o mecanismo evolucionário de “proteção à vida”!

A tendência natural das pessoas é então evitar repetir essa experiência pois o “instinto de sobrevivência” é normalmente mais forte do que nossas construções cognitivas (pensamentos) – tais como “preciso ir na academia” ou “tenho que fazer exercícios” – por mais racionais e bem intencionadas que elas sejam.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Lembre-se: A maioria das pessoas querem o “resultado” (mudança corporal) mas não querem passar pelo “processo” (treinamento físico)!

O Dr. Bedford afirma: “As impressões emocionais são muito importantes! Se o aluno sai da aula se sentindo “realizado”, isto é, como se tivesse trabalhado duro mas sem sentir dor, ele fica mais inclinado a fazer isso de novo”.

Os instrutores devem ser orientados a diminuir a intensidade com os alunos novatos e serem muito cuidadosos na seleção dos exercícios para tentar reduzir eventuais episódios de dor tardia”.

No final de uma aula/treino, faça todos parabenizarem uns aos outros. Reúna todos os alunos, cumprimente-os e faça uma breve reflexão sobre a aula: Fale sobre o esforço deles, os pontos de maior dificuldade e identifique eventuais barreiras, sugerindo alternativas para a próxima aula.

Eles vão se sentir apoiados e mais inclinados a voltar. Isso tem forte apelo à uma das nossas necessidades psicológicas básicas dentro da Teoria da Auto-Determinação: o Pertencimento.

 

PALAVRAS FINAIS

O HIIT é uma tendência longe de acabar. Contudo, é preciso tomar cuidado com a intensidade.

Lembre-se de que a “percepção subjetiva de esforço” (PSE) é subjetiva, ou seja, individual! Para algumas pessoas o HIIT pode ser feito na forma de rolar um pneu gigante ou saltar fazendo flexões. Para outras pode ser simplesmente alternar entre andar rápido com caminhadas leves!

Por isso é muito importante adaptar os exercícios com base no nível de condicionamento e experiência dos alunos. Ofereça alternativas para cada sequência de exercício e “pegue leve” com todos aqueles fora de forma ou fisicamente descondicionados.

Lembre-se de que os novatos, especialmente os sedentários, podem ficar desestimulados e desistir mais rapidamente devido ao desconforto físico experimentado durante treinos de HIIT.

Por outro lado, a dinâmica de variação de exercícios e o fato das sessões serem mais curtas, característicos da metodologia HIIT, ajudam na retenção.

Por isso, ao invés de HIIT, aplique o LIIT – Low Intensity Interval Training!

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