Falhe rápido, falhe frequentemente

Por Tiago Pereiras

É normal temer cometer um erro? Você já falhou em algo hoje? Se você pensou em um sonoro NÃO, talvez tenha que rever um pouco seus conceitos para os novos ventos do século 21!

O título do artigo é uma das máximas no Vale do Silício: “falhe rápido, falhe frequentemente, aprenda rápido”.

Porém, o erro/fracasso são evitados porque as pessoas fazem o possível e o impossível para evitar esse momento único na vida de empreendedores, profissionais, seja de educação física, médicos ou gestores.  Fora do nosso país, iniciar um negócio que falha no seu início é algo usado como uma medalha de honra, mas afinal, por que essa diferença existe e por que devemos nos importar?

O sucesso é bom, e sim, eu sei que o fracasso é ruim, doloroso e anda de mãos dadas com uma queda nos níveis de dopamina na rede de neurotransmissores de recompensas do cérebro. O mundo do fracasso é aquele em que o brilho rosado das recompensas futuras é substituído pela angustiante ansiedade da punição antecipada e o maior efeito colateral é o medo que vem com o fracasso. O medo inibe a criatividade, e sim é um inimigo nesse novo mundo moderno. É difícil imaginar apresentar seu melhor trabalho criativo quando sua mente está preocupada com o medo de falhar!

Então, é fundamental essa mudança do jeito de pensar, algo que muitas pessoas denominam como mindset!

Agora, algo pouco discutido, é quando observamos que o fracasso abre nossas mentes para novas ameaças e as rotas de fuga antecipadas disponíveis para combatê-las. E isso abre nossa mente para novos pensamentos, percepções e possibilidades, em outras palavras, pode nos tornar temporariamente mais criativos!

Não é novidade, mas vivemos em um mundo extremamente V.U.C.A (Volátil-Incerto-Complexo-Ambíguo) e, quando fazemos uma análise mais profunda sobre o que ocorre no nosso planeta, observamos que o mundo físico é ruim o suficiente, em que os físicos não conseguem explicar completamente como o universo que vemos funciona e as partes que parecem capazes de explicar dependem, em sua maioria, da estatística, da mecânica quântica e da teoria do caos. E se isso não for suficiente, o mundo também contém bilhões de pessoas de mentalidade diferente cujas ações futuras são ainda mais difíceis de prever com precisão. E quanto mais adiante tentamos prever os detalhes, mais nos enrolamos no processo. Portanto, o erro é algo inaceitável ainda para algumas pessoas, culturas e nações, algo que precisamos mudar com urgência.

Parte dessa diferença começa exatamente na infância de cada um, que é um período fundamental para qualquer um de nós, pois nessa fase construímos o nosso mundo, nossas crenças, nossos valores e será o espelho da nossa vida adulta. Em geral as crianças lidam com esse mundo complexo de uma forma muito simples. Sim, quando crianças, nós nascemos e somos capazes de fazer pouco: comemos e eliminamos, observamos o mundo e dormimos muito. Pode não ser óbvio, mas quando crianças, experimentamos sem o medo e a cobrança por não errar, de falhar.

Em algum momento tentamos no passado vocalizações diferentes para ver quais levam aos resultados desejados. Movemos nosso corpo e suas extremidades, aprendemos o que acontece e gradualmente aprendemos a controlar nossos membros para agarrar, engatinhar e andar. Em vários momentos observamos os adultos lerem e depois tentamos ler por conta própria, não observando e repetindo perfeitamente, mas tentando, cometendo erros e aprendendo a repetir as abordagens que funcionam. Na escola, eles tentam adicionar números e depois de muita prática, se tornar mais proficiente em adição e matemática, mas então, por que deixamos essas ações na vida adulta?

Na vida adulta, em função do meio em que estamos inseridos, quase em sua maioria vamos aos poucos, esquecendo e perdendo um pouco desse processo básico e maravilhoso da experimentação e aos poucos vamos substituindo   o “tentativa e falha” por “tentativa e erro”. Então, quando as crianças tentam algo que não funciona da maneira que esperavam, aprendem com a experiência e da próxima vez fazem melhor. Portanto, mesmo que as coisas não tenham funcionado como o esperado originalmente, há um resultado positivo e não pensamos no resultado como um fracasso. Precisamos recuperar algumas dessas habilidades que quando crianças usavam em abundância, afinal ninguém nasce com um DNA inovador.

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