Corpo 4.0: a internet como extensão da mente

Por Tiago Gonçalves Pereira

O uso da tecnologia aliada à inteligência vem mudando a forma como lidamos com o bem-estar, com doenças e até mesmo com o nosso estresse diário. A internet se tornou uma extensão da mente, tal como é a raquete de tênis para o tenista.

A cada dia mais, percebemos a nossa relação cada vez mais próxima com as tecnologias e, todo esse movimento vem provocando grandes modificações. A inovação vem chegando à todos os setores, grandes transformações vão reescrevendo o futuro do nosso planeta e das relações de trabalho. Inúmeras profissões vão deixando de existir, corporações estão preocupadas e startups surgindo a cada segundo no mundo inteiro prometendo ondas de transformações.

Na área da saúde e bem-estar as transformações e revoluções que se aproximam animam qualquer ser humano. A cada dia mais está claro que o futuro da medicina está nos aplicativos não nos hospitais, as decisões médicas vão ser cada vez mais associadas ao futuro da saúde por meio dos dados.

Agora que temos acesso a mais dados por meio de dispositivos como o Apple Watch, Wearable e Fitbit, não queremos mais nos preocupar com doenças, mas focar de vez na prevenção e em bem-estar. Vejo cada vez mais que, ao invés de remediar doenças que poderiam ter sido evitadas, estamos mais interessados em prevenir suas consequências, com mais atenção aos sintomas, usando desde kits genéticos a ferramentas de monitoramento.
Por meio do monitoramento é possível obter dados, alimentar uma inteligência (artificial) e conseguir não apenas reagir a doenças, mas ser pró-ativos e preditivos. Essa situação é bem mais barata, quando se trata da prevenção de uma doença do que tratá-la.

O mindset de um biohacker é muito bem-vindo no mundo do bem-estar exponencial, é uma visão de olhar para o corpo, fazendo uma comparação a um computador biológico que funciona a partir das programações pessoais, traumas, experiências e visão de mundo o tempo todo.

Na minha opinião, o corpo humano é a próxima “plataforma” a ser ”explorada” e todos se tornarão doadores de dados sobre ele. Antes, o nosso foco e das corporações sempre foram os softwares e as grandes plataformas, agora será a necessidade de sermos mais produtivos, energéticos e concentrados o foco passa a ser o corpo humano.

Hoje, já é possível rastrear as informações do nosso corpo e conseguir reverter riscos de insuficiência em nossos órgãos, diabetes e até mesmo desacelerar o seu envelhecimento.

A busca pela otimização humana, em especial a saúde e desempenho, será cada vez maior!
O uso da tecnologia já é capaz de evitar o famoso burnout – aquele estado físico e mental de exaustão extrema provocada por condições de trabalho desgastantes.

Hoje em dia é possível – claro, com um bom plano de saúde e alguns equipamentos – medir o equilíbrio entre os sistemas nervosos simpáticos e parassimpáticos, analisar a frequência cardíaca e a distância de tempo entre cada batimento, ou seja, você consegue entender o nível do seu estresse fisiológico e hematológico. Então, imagine o que poderemos fazer daqui 1, 2 anos com relação a possibilidade dos nossos corpos?

Não posso me esquecer de citar os dispositivos ‘wearables’, que estão se tornando cada vez mais importantes neste novo contexto da saúde on-line e do nosso corpo 4.0. Eles estão mudando a forma como usamos o contexto médico.

A Apple, por exemplo, é um exemplo de empresa que até o final dos anos 90 focou em softwares e, no inicio dos anos 2000, percebeu que o foco ao corpo e ao ser humano faria a empresa se tornar mais uma vez visionária, e então passou a oferecer dispositivos capazes de medir batimentos cardíacos e detectar possíveis doenças ou mudanças no quadro de saúde dos usuários.

Em seu livro Homo Deus, Yuval Noah debate bastante sobre os próximos passos da humanidade, que seriam o foco em imortalidade, felicidade e divindade, algo que não está tão distante.

 

TIAGO GONÇALVES PEREIRA

Tiago Pereira é educador físico apaixonado por treinar pessoas e acelerar novos negócios. Especialista em bem-estar exponencial. Aficionado por saúde e inovação, atua desde 2014 nessa intersecção entre esses dois mundos.
No mercado de saúde e bem-estar desde 2012, desenvolveu projetos, eventos e serviços para empresas privadas e startups. Pioneiro em falar sobre o conceito BioHacking, vem contribuindo para reinventar a educação física junto com todos players do mercado.

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