Atividade física na gestação

Por Valéria Cristina Santos

A realização de exercícios em nosso meio é muito comum tanto entre homens quanto entre as mulheres. No entanto, esta não é uma realidade para a maioria das pessoas em nosso país. Dados mais recentes do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde) mostram que 14% da população brasileira é totalmente sedentária e apenas 31% do grupo feminino realiza atividade física por pelo menos 150 minutos por semana. Assim, há muito o que fazer em relação à saúde do povo brasileiro.

Quando olhamos para um grupo ainda mais específico de mulheres, as gestantes, estes valores são ainda piores. O nível de atividade física reduz com o progresso da gestação e isso pode trazer riscos de doenças gestacionais. Embora não haja consenso quanto ao fato de o exercício ser benéfico durante a gravidez, a maioria dos estudos relatam que não representa qualquer risco para a mãe ou o feto. Aliás, de acordo com a Canadian Society for Exercise Physiology (CSEP), há mais riscos para gestantes sedentárias do que ativas. Os benefícios descritos na literatura são diversos, como maior aptidão cardiorrespiratório, prevenção de incontinência urinária e dor lombar, redução de sintomas de depressão, controle no ganho de peso gestacional, e diminuição de diabetes gestacional, menor necessitaram de insulina e redução do risco de pré-eclâmpsia .

No entanto, as barreiras impostas pelas gestantes à prática de exercícios são muitas, como demonstrado por Haakstad et al. São elas: problemas de mobilidade, dor pélvica, falta de tempo, falta de energia, falta de interesse e medo de prejudicar o bebê. O conhecimento sobre os benefícios é um motivo importante para a adesão aos programas de exercício, e parece que as gestantes buscam este conhecimento de maneira pouco adequada, como programas de TV (55,3%), livros e revistas (24,2%) e apenas 9,3% por orientação de médicos.

Visto à dificuldade de gestantes realizarem exercícios físicos e a efetividade da realização de atividades físicas proporcionando benefícios às gestantes, o American College of Obstetricians and Gynecollogists (ACOG) passou à recomendar, desde 2002, que gestantes realizem ao menos 30 minutos de atividades por dia 5 vezes por semana, ou seja, 150 minutos de atividades física moderadas por semana, além disso, determinaram contraindicações aos exercícios e sinais de alerta para interrompê-lo. Assim, como profissional de educação física, você tem obrigação de estimular gestantes a aumentar seu nível de atividade física, promovendo os benefícios materno fetais.

 

 

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