A vida (e as academias) depois da COVID-19

Por Ricardo Cruz

Acredito que o mundo estará muito diferente depois da COVID-19. A humanidade já vivenciou outras epidemias antes da COVID-19 (a gripe espanhola, a tuberculose, a H1N1, entre outras). A mais próxima, a epidemia do H1N1, onde o foco esteve na América do Sul, vivemos momentos complicados, com menos restrições, menos contágio (a COVID contagia quase o dobro das pessoas que a H1N1), menos mortes e um período de tempo mais curto. Ficaram as recordações, algumas pessoas mais impactadas, outras, menos. Nesse momento, lembro-me de um curso na Argentina, que o realizamos com as janelas abertas (fazia muito frio), álcool em gel nas mesas, os restaurantes vazios (e portas abertas também, sem ar condicionado, para melhor circulação do ar)… mas foi administrável, agora com a COVID-19, a situação é oura.

Esse ano, quando passar essa pandemia, acredito que as relações de consumo mudarão bastante. Acredito que a maneira como as pessoas olham seu trabalho mudará, da mesma forma como as empresas olham para seus clientes (externos e internos), assim como as prioridades das pessoas também se ajustarão, no meu ponto de vista. Em geral, acredito que as pessoas mudarão a maneira como valorizam seu tempo, as relações interpessoais e a saúde.

Nesse momento, com restrições de circulação, as pessoas ocupam seu tempo com as coisas que podem fazer. Parte do tempo trabalham, parte estudam, leem, dedicam a família… Elas estão descobrindo quantas coisas podem fazer, quantas deixavam de fazer e, principalmente, quais são as tarefas essenciais para sua vida no tempo que podemos dispor. Acredito que perceberão que se pode viver sem algumas coisas, outras dedicarão mais tempo, quiçá algumas dedicarão empezaremos menos tempo. As academias, nesse contexto, estão descobrindo as ferramentas digitais e como usá-las. Quando a vida normal voltar, esses recursos poderão (ou deverão) ser parte da oferta dos serviços a um tipo de cliente que se adapta e gostou de usar esse recurso nesse momento.

A decisão de dedicar tempo, crédito que está muito vinculada à relação que se cria com pessoas e empresas. O seja, as relações criadas impactarão onde as pessoas dedicarão seu tempo. Àqueles vínculos mias forte, mais tempo dedicado pelas pessoas. Vínculos fortes, entendo que são aqueles que estão alinhados com o que se valoriza ou necessita para viver, e no entregam a maneira de satisfazer ou solucionar esses pontos. Agora é momento de as academias fortalecerem os vínculos com os clientes (internos e externos) e, manter depois da COVID, entendendo o que busca cada um deles e satisfazendo, seja em forma de produtos ou serviço, seja gerando um ambiente laboral que agregue à vida da equipe.

E a saúde? Acredito que será cada vez mais importante para a vida das pessoas, pois perceberão que a falta dela limita a sua vida e, até, ir e vir; também as dificulta dedicar tempo para as coisas que valorizam (satisfazer suas necessidades y sentir-se produtivas). Esse momento restritivo, as pessoas descobrirão várias maneiras de cuidar da saúde, mesmo sem sair de casa. Essa questão é muito importante paras as academias, pois teremos uma maior valorização do produto, mas também descobrirão que podem alcançar os resultados desejados, sem ir à academia.

Olhando sob a ótica das academias, acredito que final dessa situação, as academias perceberão o poder das pessoas e seus vínculos e relações, sejam clientes ou colaboradores ou fornecedores. Neste cenário, creio que as academias que sairão mais rápido dessa crise são as que se dediquem a gerar vínculos mais fortes e comprometidos com as pessoas que interagem, e assim, tornem-se uma solução que vale a pena dedicar tempo para manter a saúde. Sabemos que algunas academias terão problemas financeiros (temos que ter em mente que esse risco é parte do empreendedorismo), e, se acredita no texto acima, sugiro que coloque o foco em ser uma solução importante aos seus clientes e terá como resposta deles, o consumo do seu produto, que manterá sua academia ativa. Ah… coloque energia no digital também. Essa será una maneira de satisfazer os clientes que valorizam ou valorizarão seu serviço e o tempo deles. Vamos a frente retomar o crescimento do nosso mercado fitness.

Ricardo Cruz é consultor, palestrante e gestor com foco em inovação e gestão estratégica para academias. Experiência em constante desenvolvimento para cada projeto.

One thought on “A vida (e as academias) depois da COVID-19

  1. Glacilene Batista da Cunha says:

    muito boa matéria, obrigada por estar sempre ajudando nós gestores a ter esse olhar com mais clareza

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