Quais são os seus medos? Como você os encara?

A natação é admirada por muitos, mas ainda assusta muita gente.
Saiba como vencer esse medo.

Já parou para pensar nos medos que cercam nosso cotidiano, os medos que enfrentamos (ou não) e a maneira com que eles podem nos fortalecer ou nos paralisar?

Para muitos nadar é algo libertador, que pode conectar você com seu inconsciente, capaz até mesmo de auxiliar na resolução dos problemas diários. Existe também quem não se sinta tão à vontade.

Recentemente Reinaldo Arcaro participou de matéria em que a Fátima Bernardes encarou esse medo

A primeira coisa que precisamos saber é que medo não é tudo igual!

Se para cada doença precisamos de um remédio diferente, cada medo também deve ser encarado de forma específica. Para entender isso alguns ensinamentos antigos podem nos ajudar.

Segundo a Torá, livro sagrado dos judeus, existem duas palavras que designam o medo:

· PACHAD – medo das coisas projetadas e imaginadas; irracional e exagerado, oriundo da ansiedade do que “poderia” acontecer.

Normalmente este medo está relacionado com os riscos principalmente de afogamento, de como agir caso se encontre nessa situação. Em alguns casos, é o medo de encarar algo que considera perigoso, e que pode fazer mal. Como prevenir ou encontrar a CORAGEM?

Treinando, estando expostos à situações (controladas e seguras) que nos remetem ao medo e gradativamente diminuindo o medo e encontrando soluções para tal.

· YIRAH – é o sentimento que nos domina quando habitamos um lugar diferente, mais complexo ou maior do que estamos acostumados. Esse é o momento que saímos de nossa zona de conforto e descobrimos que podemos ser mais do que imaginávamos.

O caso do encontro com o mar.  Ambiente desconhecido e de grande extensão, pouco controlado e com propriedades adversas.

O MEDO DE ÁGUA, OU AQUAFOBIA, É O MEDO INDEVIDO OU IRRACIONAL DA ÁGUA.

Muito frequente também é o medo do afogamento, esse racional, desenvolvido por pessoas que não sabem nadar, não tiveram contato com a água e não saberiam lidar com suas propriedades. Normalmente as causas para este tipo de fobia se dão por alguns fatores:

  • Incidentes traumáticos: Situações que levaram a pessoas a criar raízes para esse medo. Um afogamento, um acidente com barco, um empurrão na piscina ou lago. Essa raízes podem ganhar força, também, com situações vividas por pessoas próximas, que tenham se afogado ou até vindo a óbito em meio líquido. Filmes que envolvam acidentes ou afogamentos podem reforçar esses medos.
  • Acesso à água: A dificuldade de acesso a piscinas, banheiras, praias podem levar algumas pessoas a desenvolver esse medo.
  • Medo dos pais: Os pais, avós ou cuidadores desenvolvem medo nos filhos através de advertências excessivas sobre os riscos de entrar ou ir próximo à água.

Coragem para se desafiar e vencer os medos

CORAGEM (latim – cor+actium) agir com o coração. Engana-se quem acredita que coragem é a ausência do medo!
Ter coragem é encarar, se preparar para combater algo, mesmo que aos poucos. E assim deve ser feito.

Ninguém vence o medo de uma hora para outra, e a forma mais fácil é criar metas plausíveis para que, gradativamente, eliminemos este medo, criando ações em respostas àquilo de vamos encarar.

Levando para a área da natação, quando recebemos um aluno que possui o medo de água devemos entender que o primeiro passo dado por ele (e talvez o mais difícil) já foi dado.

A procura por enfrentar esse medo, confiar em nossas mãos o compromisso de, primeiramente, entender o motivo e as causas deste medo; avaliar a maneira como se deve ser trabalhado; respeitar o limite do aluno (se ele se sente a vontade ou não com a profundidade da piscina; se é preciso acompanhar de dentro d’água os primeiros encontros e assim por diante); dessa forma direcionar o trabalho que virá a ser realizado e de preferência comunicar ao aluno as etapas do aprendizado.

Nós profissionais somos a personificação da confiança ao aluno, devemos nos poiar à isso e sermos fiéis a isso. Costumo colocar que nossa palavra é a verdade ao aluno, e tudo o que proferirmos devemos cumprir. Um exemplo: O aluno ainda não está habituado à grandes profundidades e pede para, naquela sessão, não passar na região onde não alcança o chão.

Então temos duas opções possíveis:

  • A primeira respeitar o limite, dialogar a respeito da insegurança e dar continuidade onde ele se sinta bem
  • A segunda é entender, explicar e encorajar o aluno alcançar essa dificuldade, sempre amparado pela segurança do para o mesmo. Repare que ambas as abordagens têm um ponto em comum, o diálogo.

Confira aqui quando Reinaldo Arcaro levou Fátima Bernardes para o mar após seis meses de aula

Existe ainda uma terceira opção, essa IMPOSSÍVEL, mas que infelizmente acontece, é dizer que não irá realizar certa ação e agir. Nesse momento infelizmente você acaba com a confiança do aluno e tenha certeza, com seu profissionalismo também.

Sendo assim, seguindo as metas estipuladas (lembrando que devem ser metas específicas, mas que o aluno consiga cumprir, sem concordância com o programa de acompanhamento desenvolvido), devemos ao início de cada sessão determinar nossos objetivos para aquele momento e no final de cada aula de natação passarmos o feedback sobre o que foi trabalhado. Dessa forma o aluno consegue enxergar seu desenvolvimento a cada braçada. A filmagem ou anotações a respeito do primeiro dia de aula também é um arquivo interessante para demonstrar o desenvolvimento no futuro.

APRENDENDO A NADAR

Em média um adulto aprende a nadar entre 6 a 12 meses, como já dissemos, cada caso é um caso. A adaptação ao meio líquido de sustenta em 3 pilares:

· RESPIRAÇÃO

Acontece diferente do que estamos acostumados.

No meio terrestre inspiramos pelo nariz e expiramos pela boca. No caso da natação a inspiração acontece pela boca (maior amplitude para absorção de oxigênio de forma rápida) e expiramos pelo nariz (além de realizarmos a troca dos gases, quando “soltamos” ar pelo nariz dentro d’água também impedimos que a água entre em nossas vias aéreas, pelo bloqueio que a ação permite)

· EQUILÍBRIO

Conhecimento das propriedades da água (força de empuxo, densidade) e de que maneira nos favorecem para realizarmos as mais variadas flutuações, colocando nosso corpo em equilíbrio com a superfície.

· PROPULSÃO

A partir das propriedades conhecidas, explorar a movimentação dentro da água. Em meio líquido toda força aplicada resulta em um movimento “contrário”, ou seja, se pretendo me deslocar para frente, devo exercer uma força para trás; se pretendo ir para trás, devo aplicar uma força para frente. Assim acontece também pra baixo e para cima.

Esse são os primeiros passos para começarmos a buscar o aprendizado em meio líquido. Nadar não é nenhum bicho de sete cabeças, basta paciência, vontade, sobretudo alegria por estar enfrentando seu medo.

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