Nutrição Funcional: a modulação para um tratamento eficaz na obesidade

Já está bem estabelecida a relação dos alimentos com a qualidade de vida. A ingestão de alimentos da forma correta e em quantidades adequadas está intimamente relacionada com a diminuição do risco de desenvolvimento de inúmeras patologias como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras.

A evolução do mundo moderno promoveu profundas mudanças em nossos hábitos. Hoje, nos alimentamos de forma diferente, respiramos um ar diferente e estamos em contato com novas substâncias sintéticas (tóxicas ou não) que não existiam há alguns anos. Ainda, nos movimentamos cada vez menos e somos impelidos a absorver e aprender cada vez mais informações, aumentando o estresse e desafios diários.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, desde 1980, a prevalência de obesidade aumentou mais do que o triplo em todo o mundo, sendo que esse dado não está limitado a nações desenvolvidas. A incidência da obesidade está crescendo mais agudamente naqueles países que se industrializaram rapidamente, aumentando a epidemia das doenças associadas com a obesidade, incluindo diabetes, dislipidemias, doenças hepáticas e aterosclerose.

Atualmente a obesidade é reconhecida como uma condição de baixo grau de inflamação crônica, sendo o tecido adiposo considerado um tecido ativo com função endócrina. A inflamação induzida pela obesidade é considerada um mecanismo potencial envolvido em patologias metabólicas como resistência à insulina, diabetes tipo 2, esteatose hepática, aterosclerose, doenças imunológicas e diversos tipos de câncer (HOTAMISLIGIL, 2006). Estudos com humanos indicam que a obesidade pode independentemente aumentar o risco de doenças associadas com inflamação caracterizadas pelos níveis elevados de moléculas pró-inflamatórias e proteínas no sangue de indivíduos obesos quando comparados aos níveis de indivíduos não obesos (OBANDA et al., 2014).

Considerando esses aspectos inflamatórios envolvidos na obesidade, a Nutrição tem papel essencial já que por meio de diferentes alimentos anti-inflamatórios poderá modular o estado inflamatório crônico, conforme descrito a seguir:

  • Ácidos graxos ômega-3: têm diversos efeitos à saúde, incluindo modulação da cascata inflamatória, reduzindo níveis de marcadores inflamatórios como Proteína C-reativa, interleucina-6 e TNF-alfa (ELLULU et al., 2015).
  •   Capsaicina: composto bioativo presente na pimenta vermelha, tem importante efeito anti-inflamatório na obesidade e diversos estudos indicam redução dos níveis de marcadores inflamatórios (KANG et al., 2010).
  •  Gengibre: com mais de 115 compostos já identificados e potente ação anti-inflamatória, também pode contribuir na modulação da obesidade, principalmente quando associado à prática de atividade física (ATASHAK et al., 2011).
  • Curcumina: presente na cúrcuma (GANJALI et al., 2014).

Nesse sentido, observamos que o manejo da obesidade pela nutrição vai muito além do equilíbrio entre calorias ingeridas e calorias gastas – há fatores metabólicos complexos envolvidos que podem ser influenciados diretamente pelos alimentos, nutrientes e compostos bioativos. Além do aspecto inflamatório, outros fatores estão envolvidos na etiologia da obesidade incluindo alteração da saúde intestinal, desequilíbrios imunológicos, problemas de destoxificação hepática, desequilíbrio de micronutrientes e desordens hormonais – e todos esses fatores têm relação direta com a qualidade da alimentação consumida.

Referências bibliográficas

1. ATASHAK, S.; PEERI, M.; AZARBAYJANI, M.A.; et al. Obesity-related cardiovascular risk factors after long- term resistance training and ginger supplementation. J Sports Sci Med; 10(4):685-91, 2011.

2. ELLULU, M.S.; KHAZA’AI, H.; ABED, Y.; et al. Role of fish oil in human health and possible mechanism to reduce the inflammation. Inflammopharmacology. 2015 Feb 14. [Epub ahead of print].

3. GANJALI, S.; SAHEBKAR, A.; MAHDIPOUR, E.; et al. Investigation of the effects of curcumin on serum cytokines in obese individuals: a randomized controlled trial. Scientific World Journal; 10.1155/2014/898361. eCollection 2014.

4. HOTAMISLIGIL, G.S. Inflammation and metabolic disorders. Nature; 444: 860-7, 2006.
5. KANG, J.H.; GOTO, T.; HAN, I.S.; et al. Dietary capsaicin reduces obesity-induced insulin resistance and hepatic steatosis in obese mice fed a high-fat diet. Obesity (Silver Spring); 18(4):780-7, 2010.

6. OBANDA, V.; OMONDI, G.P.; CHIYO, P.I. The Influence of Body Mass Index, Age and Sex on Inflammatory Disease Risk in Semi-Captive Chimpanzees. PLoS One; 9(8):e104602, 2014.

One thought on “Nutrição Funcional: a modulação para um tratamento eficaz na obesidade

  1. Jane Magalhães says:

    Ana Beatriz,

    Muito importante a relação do tipo de nutrientes x Atividade Física para os obesos, afim de obtermos melhores resultados.
    Sou professora de Educação Física, desde 1992, Personal Trainer em
    Recife-PE; e me preocupo com o crescente percentual de obesos em nosso Brasil.

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