A verdade sobre como uma criança se transforma em atleta profissional

Apesar de ser minoria o universo de atletas pagos com salários astronômicos, são muitos os pais que idealizam o sucesso de seus filhos no esporte. Para esses, é preciso saber, contudo, que o caminho de transformação de uma criança em atleta profissional é longo, árduo e exige intensa dedicação desde os primeiros anos de vida.

São vários os fatores que influenciam a transformação de uma pessoa num atleta profissional. Entre eles, está a questão de treinamento e especialização, que para um possível sucesso, devem começar logo cedo, nos primeiros anos de vida, de forma a obter total domínio do conjunto de habilidades e soluções motoras demandadas pela modalidade esportiva escolhida.

 

O que, então, pais que imaginam um dia fazer de seus filhos atletas precisam saber?

Independentemente da modalidade esportiva, o contato com a mesma precisa acontecer desde muito jovem. Grande parte dos profissionais bem sucedidos no esporte tiveram contato com sua modalidade logo aos três, quatro anos de vida e, desde essa idade, treinaram e se especializaram. Nesse sentido, é necessário destacar que essa tarefa exige uma dedicação altíssima, e que é dada de um jeito completamente diferente de como o esporte ou atividade física é promovido para as crianças como um todo, voltado para a saúde.

Para a saúde, inclusive, fazemos com que a criança experimente, vivencie diversas modalidades sem grandes preocupações técnicas, isso desde os primeiros anos de vida até aproximadamente os dez anos de idade. E aí sim, ela terá condições de escolher a atividade que mais se sente atraída para dar sequência como prática regular para ganhos e manutenção de saúde.

Porém, quando se trata da criação de um atleta, a história é bem diferente. É um outro tipo de vivência e de treinamento no esporte, que obviamente, não é o ideal em termos de saúde. No esporte ocorre a especialização, que alguns estudiosos da saúde qualificam como precoce, ao se pensar na qualidade de vida e no melhor cenário de desenvolvimento físico ou mesmo social. Essa especialização envolve o treinamento no qual ao invés de oferecer todo o leque de habilidades para a criança, as especializamos, e isso precisa acontecer logo nesses anos iniciais de vida, fazendo ela treinar, aprender e evoluir as técnicas envolvidas naquela atividade esportiva de forma muito mais séria, longe de fazer parte de uma atividade lúdica ou de uma simples brincadeira.

O início de treinamento precoce não é sem motivo. Estudos mostram que para o aprendizado e desenvolvimento de cada habilidade acontecer, independentemente do esporte, é preciso que seja repetida por volta de dez mil vezes. Ou seja, no futebol, por exemplo, para se aprender cada comando como chutar uma bola parada, chutar uma bola em movimento, lenta, rápida, quicando alto, baixo, de frente de lado, chutar com o peito do pé, com o lado, etc., é preciso realizar esse grande volume de repetições, em cada uma das situações. Ou seja, para se tornar um grande esportista, capaz de figurar entre os vencedores da profissão que receberão bons salários, é necessário muito tempo, treino e sacrifícios, que acabam tirando a criança do melhor ambiente de desenvolvimento saudável em todos os aspectos.

Desta forma, com todo esse tempo dedicado ao desenvolvimento motor desde os primeiros anos de vida, ao alcançar seus vinte anos e o auge de suas capacidades e rendimento físicos (entre 20 e 30 anos), o jovem já terá muito controle das habilidades treinadas exaustivamente e poderá se diferenciar e despontar como atleta profissional.

Agora, aos pais interessados em transformar seus filhos em atletas cabe um importante alerta: inserir uma criança no esporte para competição demanda que ela abdique diversos aspectos da vida, como o lado social, o lúdico, a alimentação menos radical, etc., e tudo isso, para especializá-la e treiná-la no desenvolvimento técnico de habilidades e de formação física necessárias para o esporte.

Esse empenho todo, vale dizer, não se traduz numa vida saudável. Ao contrário. Significa abrir mão de várias etapas da infância e da vida, e incluir as dores e o estresse físico e mental, como algo a se conviver. É muito mais que a atividade em si. É a formação e preparação de um trabalhador profissional do esporte.

Se ainda com esses obstáculos, haja interesse dos pais em transformá-la em atleta profissional, para que ela aconteça com menor estresse possível, é fundamental ainda outros dois aspectos importantíssimos: primeiro que a criança seja apaixonada pela modalidade que pratica, e em segundo lugar, que tenha uma genética perfeita para a determinada modalidade. Em relação a genética, não há muito que se possa fazer. Ou nasce com ela ou terá dificuldades para sempre. O amor pelo que se faz, aliás, deve ser a grande mola propulsora, principalmente para que uma criança tenha essa dedicação fora do comum ao esporte. Sem ele, nada terá efeito ou resultado esperado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *